Psicóloga explica fatores da depressão e orienta dicas para superar o transtorno

07 Abr 2017
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Gabriela Godinho siteA depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge 5,8% da população no Brasil, sendo uma das principais causas de problemas de saúde e incapacidade, para a vida social ou laboral, em todo mundo, afetando 322 milhões de pessoas. Com crescimento, nos últimos 10 anos, em mais 18% de novos registros, o transtorno fez com que a OMS destinasse o Dia Mundial da Saúde em 2017 ao alerta para a depressão.

“Os números alarmantes do constante crescimento da doença, servem para que repensemos as abordagens sobre a saúde mental e passarmos a tratar com urgência e não mais como um tabu. Quanto antes realizado o diagnóstico, feito um acompanhamento regular, menor serão os danos, pois a depressão pode vir a prejudicar as relações sociais, interfere na capacidade laboral, alteração no apetite, alteração no sono, diminuição da concentração”.

O alerta é feito pela psicóloga Gabriela Guimarães Godinho, que atua no Hospital Dilson Godinho e é uma das responsáveis pelo setor de recursos humanos da instituição. Segundo a especialista, a depressão é caracterizada, entre outros fatores, por tristeza persistente (no mínimo duas semanas), redução da energia, perca de interesse e de prazer, ansiedade, dificuldade ou até incapacidade de realizar atividades diárias.

“A depressão pode afetar em qualquer idade, onde se relaciona com ambientes externos ou internos, como fatores biológicos, hereditários, problemas familiares, perdas, etc.”, destaca Gabriela Godinho.

Vamos falar sobre?
Segundo a psicóloga, o tratamento da depressão, em seu primeiro passo, é se falar sobre ela, “é conseguirmos mudar a visão que as pessoas ainda têm sobre a doença, mudança dos hábitos de vida, ter acompanhamento com um psicólogo e, quando necessário, a terapia medicamentosa”, destaca.

Para Gabriela, com o aumento da prevalência da depressão na sociedade, é preciso haver mais recursos e investimentos para a saúde mental, principalmente para a prevenção da doença. Ela indica algumas medidas que podem ajudar a superar o transtorno e até mesmo evitar o seu surgimento.

“Como medida de prevenção precisamos adotar na nossa rotina hábitos mais saudáveis, atividades físicas, relaxamentos, cuidar sempre das nossas relações sociais, entender a importância da psicoterapia, antes mesmo de uma doença instalada”.

Depressão e o ambiente de trabalho
Com o dia a dia cada vez mais ocupado de atividades, a sociedade tem se forçado ao limite no ambiente de trabalho, que nem sempre é o melhor espaço para se desenvolver uma vida saudável. Gabriela alerta que situações do trabalho podem influenciar no surgimento de quadros de depressão e orienta maneiras de evitar tal situação.

“No ambiente de trabalho, situações adversas tem grande influência para o desenvolvimento da depressão. Um ambiente estressante, estar em um trabalho que não lhe traz satisfação, podem facilitar a instalação da doença. Buscar algo que lhe dê prazer, não visando apenas o lado financeiro, buscar ter bom relacionamento dentro da empresa, buscar a qualidade de vida fora do trabalho, auxilia para que o ambiente se torne melhor”.

Para ela, as empresas devem buscar ações para minimizar o estresse no trabalho. A psicóloga destaca dinâmicas que são oferecidas pelo RH do Hospital Dilson Godinho, como exemplo de alternativas para tornar o ambiente de trabalho o mais acolhedor possível. “No ambiente hospitalar lidamos com a morte em tempo integral - o que já é um fator estressor -, por isso, tentamos criar um ambiente amistoso, valorizando as relações entre os colegas. Os colaboradores têm livre acesso ao RH, permitindo ter uma relação mais transparente, acompanhamento psicológico gratuito, ginástica laboral, entre outras ações em conjunto com o grupo de trabalho de humanização, onde buscamos proporcionar uma melhora na qualidade de vida das pessoas no ambiente de trabalho”, finaliza Gabriela Godinho.

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