Aneurisma

09 Dez 2015

Uma evolução no tratamento do aneurisma da aorta — maior artéria do corpo humano — diminuiu os riscos da intervenção e a possibilidade de sequelas para o paciente, trazendo mais segurança ao procedimento e melhores chances de recuperação. Na entrevista a seguir, Gustavo Albuquerque, médico hemodinamicista do Hospital Dilson Dilson Godinho explica as novidades sobre o assunto.

1) O que é aneurisma da aorta e quais suas principais causas?
A aorta é a maior artéria de nosso corpo e dela se originam os ramos que irrigam todos os tecidos, desde os que levam sangue ao cérebro e às vísceras, até os que irrigam os membros inferiores. Os aneurismas são dilatações segmentares que envolvem uma ou mais porções da aorta. Estas dilatações se comportam como uma ‘bolha em uma mangueira’. Habitualmente, os aneurismas fusiformes maiores que 5 cm de diâmetro ou os que cresceram mais de 5 mm em 6 meses devem ser tratados, pois o risco de ruptura é elevado.
Entre os principais fatores de risco para este tipo de aneurisma estão o tabagismo, a obstrução de artérias (aterosclerose), a hipertensão e altas taxas de colesterol. Indivíduos a partir dos 50 anos e com histórico familiar também estão no grupo de risco para a doença.

2) Quais os riscos quando ele atinge a aorta?
Ao se formarem placas de gordura nas paredes da aorta, ela se dilata como uma bolha, formando um aneurisma. Se a doença acomete a região dos órgãos vitais (intestino, fígado, rins e medula), tem-se o aneurisma toracoabdominal, que pode levar à morte. A principal complicação do aneurisma não tratado é a ruptura, que provoca imediato sangramento (hemorragia interna) no tórax ou abdome, com taxa de mortalidade elevada.

3) Como prevenir?
Evitar os fatores de risco, como a obesidade e o sedentarismo, mantendo a prática regular de atividades físicas associadas a uma alimentação rica em frutas e verduras, é fundamental. Não fumar, consumir bebidas alcoólicas moderadamente e evitar a ingestão excessiva de produtos industrializados tam

bém são atitudes importantes. Desta forma, podemos evitar o aneurisma e, mesmo em caso de pacientes que já tiveram a doença, é possível evitar a reincidência.

4) Quais as novidades do tratamento mais recente? Que vantagens ele traz?
Um novo tratamento percutâneo de aneurisma da aorta toracoabdominal, pouco invasivo, insere um tubo (stent) pela virilha até o aneurisma para isolá-lo da corrente sanguínea. Desta forma, a mortalidade cai para 3% e o tempo de cirurgia para 4 horas. Não se paralisa mais a circulação e a recuperação do paciente é mais rápida.

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A técnica surgiu há dez anos e é guiada por imagens em 3D e um cateter inserido na virilha é levado até a área a ser tratada. Com o isolamento do aneurisma, a tendência 

 

é a redução de seu volume e normalização da saúde do paciente.

5) Como funcionava o tratamento tradicional? Que riscos ele trazia ao paciente?

A cirurgia convencional dura mais de 6 horas e exige a abertura do tórax até o abdome. É preciso paralisar a circulação sanguínea para substituir a aorta doente. O risco de paraplegia pode chegar a 20% e o de morte a 12%, ou seja, os riscos no tratamento novo são muito menores. Mas, após a ciru

rgia, é fundamental adotar medidas preventivas idênticas às recomendadas como prevenção ao infarto: dieta saudável e exercícios físicos
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Última modificação em Quinta, 17 Março 2016 19:57
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