História

Montes claros terra de grandes belezas

História

A cidadezinha foi prosperando, mandou voluntários para a Guerra do Paraguai, elegeu deputados, apareceram os primeiros letrados, instalou a escola normal sem buscar professores fora e ganhou o primeiro jornal, "Correio do Norte", em 1884. De repente, deu-se um acontecimento muito importante: no início do século 20. Chegaram, da Bélgica, os cônegos premonstratenses, de batina branca, com a missão de propagar a fé católica e instruir a juventude. Fundaram mais um colégio, mais um jornal, um grêmio dramático e até um modesto observatório astronômico. Inaugurou-se, na pacata cidade sertaneja, uma nova era espiritual.

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Foi ai que Montes Claros resplandeceu em noites e dias luminosos. A urbes interiorana foi convertida em cidade grega do Século de Péricles, superlotada de atores, cantores, instrumentistas, menestréis, jornalistas. Um dos discípulos dos padres brancos, João Chaves, o bardo que cantava pras estrelas, compôs a modinha "Amo-te muito", que ostenta a glória de ser considerada o hino nacional da seresta brasileira. Nem só de saraus, flauta e violão vivia o montes-clarense romântico e boêmio do passado. Nesse ínterim, o jurista Gonçalves Chaves governou a província e redigiu o livro de Direito de Família, do Código Civil Brasileiro. Ruy Barbosa, que foi o rio cheio de nossas letras jurídicas, colocava-se entre seus maiores admiradores e o chamava, afetuosamente, de "meu mestre de Direito Constitucional". Sua terra mãe deu seu nome à praça da Matriz, ao Fórum e à escola primária mais antiga da cidade, em homenagem tríplice e merecida.

Em 1926, o apito do trem de ferro, trazido pelo norte-mineiro Francisco Sá, ministro da Viação, registrou nosso ingresso na era da tecnologia. Vinte anos depois, o prolongamento dos trilhos rumo à Bahia e ao Nordeste colocou a Princesa do Sertão na corrida para o desenvolvimento econômico e social.

Em 6 de fevereiro de 1930, em meio a tiros e correria, a cidade ganhou as manchetes da imprensa mundial. Sucedeu um sangrento conflito entre facções políticas rivais, e Dona Tiburtina, esposa do deputado João Alves, que se opunha ao deputado Camilo Prates, foi mitificada como mulher corajosa e personagem da História do Brasil. Na década de 1960, chegou a fase dourada da expansão econômica planejada e financiada pela Sudene, originada de emenda do deputado José Esteves Rodrigues, que criou parques industriais e modernizou a exploração da economia rural. Iniciou-se, então, a atual fase de modernização da cidade, marcada pela gestão histórica do prefeito António Lafetá Rebello, que sacudiu o marasmo administrativo e introduziu a cidade, definitivamente, na era do planejamento urbano e do asfalto para toda a comunidade.